terça-feira, 25 de agosto de 2009

Quem eram os deuses baal e astarote



Quem eram os deuses baal e astarote? Quais os sacrifícios exigidos por eles?
Pergunta enviada por Maria José - Arapiraca, em 31/07/2009
Eram dois deus adorados pelos povos contemporâneos ao povo de Israel, ao Antigo Testamento, sobretudo pelos cananeus.

BaalBaal, em hebraico, significa ‘senhor’, ‘patrão’ ou ‘marido’. Contudo, na maioria das vezes o vocábulo é usado na Bíblica como um nome próprio, em referência a uma divindade particular, ou seja, a Adad, o deus semítico ocidental do vento e da tempestade, o deus mais importante dos cananeus. Apesar dessa definição, no Antigo Testamento se usa muitas vezes o termo ‘baalim’, o plural de ‘baal’ (veja 1Reis 18,18). Isso prova que se distinguiam diversos deuses com o nome de Baal. De fato, em 1Reis 18, no Monte Carmelo, Baal é identificado provavelmente com o deus Melkart, deus da cidade de Tiro.
Através da Bíblia não sabemos muito sobre Baal. A única coisa evidente era que o culto a este deus ameaçava a fé do povo de Deus. Parece evidente, também, que o culto a YHWH foi muito influenciado pelo culto desse Deus. De fato YWHW é o Senhor (como Baal).
Para sabermos mais sobre Baal uma fonte importante são os textos de Ras Shamra (Ugarit). Através deles sabemos que uma das esposas de Baal era a deusa Astarte e outra era Asra. Baal era filho de Dagon. Nesses textos, Baal aparece como o deus da natureza. Alguns mitos descrevem a sua batalha contra a morte, a esterilidade e as inundações.
Muitas vezes Baal significa simplesmente divindade e não necessariamente um nome próprio. De fato encontramos, muitas vezes, um adjetivo que qualifica o substantivo: Baal-berith (senhor da aliança); Belzebu (senhor das moscas), etc.

AstarteQuem você chama “astarote” é normalmente conhecida como Astarte, do grego. Em hebraico, transliterado, temos Ashtoreth (em ugarítico ‘Attart e em acádico As-tar-tu). Era adorada sobretudo na região do atual Líbano (Tiro, Sidão e Biblos), pelos cananeus (veja 1Reis 11,5), mas também em Malta, Sardenha, Sicília, Cipre e Egito. No mundo latino foi identificada com Vêneris; no Egito com Ísidis. Em época helenística foi identificada com Afrodite ou com a deusa Síria. Tinha como símbolos o leão, o cavalo, a esfinge e a pomba. Era a deusa da fertilidade, do amor e da guerra.
Aparece diversas vezes no Antigo Testamento e o vocábulo hebraico usado reconduz ao termo hebraico “vergonha”, mostrando o juízo negativo do povo hebraico em relação ao culto dessa deusa. Aparece também o uso plural, ‘asterot, que indica as várias divindades femininas estrangeiras, assim como ba‘alim, termo que sintetiza as divindades masculinas.
Apesar da condenação unânime contra o culto aos deuses pagãos, parece que os hebreus, logo depois da conquista da terra, adotaram o seu culto, abandonando a YHWH (Juízes 2,13; 10,6). Parece inclusive que no tempo de Samuel o seu culto fosse praticado de forma ampla (1Samuel 7,3seguintes; 12,10), tendo inclusive a aprovação do rei Salomão (1Reis 11,5; 2Reis 23,13). Quando o rei Saul foi morto pelos filisteus, as suas armas foram levadas ao seu templo (1Samuel 31,10).

Às vezes o nome de Astarte é substituito pelo de Aserá, outra divindade feminina do mesmo carácter (Juízes 3,7; 2Reis 23,4).

Quanto ao culto desses deuses, não existe uma descrição especial das ações prestadas. Provavelmente muitos sacrifícios que eram dedicados a eles passaram a ser dedicados a YHWH, como as ofertas de frutas, os primogênitos dos animais e também os holocaustos.

Pr.charleston scarparo

Quem são os deuses cananeus?

A religião dos cananeus estava já bem estabelecida na Palestina antes da Conquista Israelita sendo muito elaborada em seus ritos e perfeitamente identificada com os interesses e as ambições de uma população agrícola. Era identificada com a natureza e tinha como objetivo ensinar aos homens a cooperarem e controlarem o ciclo das estações. Entre as suas muitas divindades, Baal era o seu deus principal, o "Senhor da Terra", que também era o Deus do tempo atmosférico. Astarote, mulher de Baal, era a personificação do princípio reprodutivo da natureza, Istar era o seu nome babilônico; Astarte (Afrodite), seu nome grego e romano. Os templos de Baal e Astorete eram comumente próximos. Sacerdotisas eram prostitutas dos templos. Sodomitas eram homens da mesma espécie que também agiam nos templos. Existiam outros deuses cananeus e o culto a eles consistia em orgias.

Os cananeus tinham como prática religiosa comum o sacrifício de crianças. Em escavações feitas por Macalister em Gezer, 1904-1909, foram encontradas ruínas de um "Lugar Alto", que tinha sido um templo, no qual ocorria a adoração de Baal e Astarote. Sob os detritos, neste local, foram encontrados uma grande quantidade de jarros contendo despojos de crianças recém-nascidas, que haviam sido sacrificadas a Baal. A área inteira se revelou como sendo cemitério de crianças. Em Meggido, Jericó e Gezer as escavações revelaram que era comum o "sacrifício dos alicerces"; quando se ia construir uma casa, sacrificava-se uma criança, cujo corpo era metido num alicerce, a fim de trazer felicidade para o resto da família.

Israel é ordenado a não fazer aliança com os cananeus, não temê-los, não se misturar com eles em casamento, não seguir sua idolatria, não seguir seus costumes, destruí-los sem misericórdia e destruir todos os vestígios de sua idolatria.

http://www.geocities.com/pjchronos/Jerico/jer_cana.htm


Com o nome de Baal, os povos semitas ocidentais adoraram diversos deuses, todos de características semelhantes. Originariamente, Baal constituía, junto com El, a principal divindade do panteão cananeu. A principal fonte de informação a respeito do deus são as tábuas descobertas em Ras Shamra, localidade do norte da Síria situada onde existiu o antigo reino de Ugarit, que se desenvolveu em meados do segundo milênio antes da era cristã. Baal era o deus da fertilidade e, associado à tempestade e à chuva, tinha lutas periódicas com Mot, senhor da seca e da morte. Nessa mitologia, Baal representava as forças ativas da vida, enquanto El estava associado à sabedoria e à prudência da maturidade. Os Fenícios adotaram o culto de Baal, que chamavam Baal Shamem, senhor dos céus. Depois de chegar a Canaã, os israelitas passaram a chamar de Baal os deuses da região. No século IX a.C., Jezabel pretendeu substituir o culto de Iavé pelo de Baal, o que provocou o repúdio deste. Baal passou a representar, para os israelitas, a abominação e os falsos deuses. Essas circunstâncias, aliadas à crença de que os cartagineses sacrificavam seus primogênitos a Baal Hammon, atribuíram ao deus uma imagem sanguinária que em nada corresponde a sua origem.

http://www.nomismatike.hpg.ig.com.br/Grecia/baal.html

Ritualismo
Os seus rituais eram multiplos, passando por ofertas corporais de teor sexual, libações, e também a adoração das suas imagens ou idolos. O seu principal culto ocorria no equinócio da primavera e era altura de grandes celebrações à fertilidade e sexualidade. O sexualismo e erotismo ligados ao seu culto fazia dela uma deusa muito adorada entre os povos da altura, exactamente pelo seu teor. Talvez seja este o motivo que levou o rei Salomão a adorar esta deusa (1Reis 11:15), contrariando o seu Deus.


Relacionamentos
Em Sidom o culto era dividido principalmente entre dois deuses Eshmund e Asterate (Astarte).

Astarte era esposa do deus Tamuz que vem referenciado na biblia em Ezequiel 8:14.

Astarte era filha de Baal

Astarte era irmã gémea de Camoesh (ou Camos)


Locais de Culto
Um dos seus templos principais encontrava-se na terra dos filisteus - em Ekron (I Samuel 31:10).


Referência histórica
Esta divindade bíblica é uma herança mitologica da história dos povos da suméria (biblica sinear) e dos acádios (Genesis 10:10), onde Asterate era chamada de Ishtar ou Inanna. Mais tarde para os gregos esta divindade foi chamada de Afrodite e Hera, enquanto que para os egipcios era recordada como Isis ou, como outros defendem, Hator. Esta apareceu pela primeira vez nesta mitologia depois da 18º dinastia, no relato da batalha entre Horus e Seth em que a sua identidade poderia ser equiparada com Anat.

Segundo a mitologia suméria e acádia Ishtar (Asterate) era irmã de Shamash, ao qual a bíblia se refere como Camoesh, Camos ou Quemós. Em mais que um versiculo na biblia estes dois nomes aparecem juntos. (I Reis 11:36) (II Reis 23:13);

O Nome Asterate também aparece associado a Baal em (Juízes 2:13) (Juízes 2:13) (I Reis 18:19). Baal para os sumérios seria o deus Nana, ou Sin para os Acádios, que também era pai de Ishtar/Inanna. Em Biblos Astarte era conhecida como Baalate (forma feminina para Baal).




Outras referências:
A deusa Astarte, foi a mais importante das numerosas divindades fenícias e a única que permaneceu inamovível na sua rica mitologia, apesar das profundas e contínuas mudanças no culto que resultaram de diversas influências oriundas de toda a área do Mediterrâneo, recebidas por este povo de navegantes. A deusa era uma representação das forças da fecundidade e, como tal, foi adorada sob variadíssimos aspectos. Todos eles tinham de comum a imagem de uma deusa amorosa, bela, fecunda e maternal. Chamaram-lhe Kubaba-Cibeles na Síria do Norte. Esta e as restantes divindades fenícias eram adoradas em santuários, mas o seu culto não carecia de esculturas religiosas, pelo que, muitas vezes, elas faltavam nos templos. A sua séde era uma simples pedra ou pilone no centro do lugar sagrado. A protecção divina na vida doméstica era invocada em estatuetas de material tosco, inacabadas, ou em amuletos de inspiração egípcia, como por exemplo o célebre escaravelho solar das pinturas faraónicas.

Pr.charleston Scarparo
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2 comentários:

  1. Muito bom. Tirei muitas dúvidas, muitas das vezes pais colocam nomes nos filhos sem saber o seu significado.

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  2. continue sempre a tirar dúvidas. A tanta gente carente de abrirem os olhos.
    Cleidiane Mendes

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